O Senhor continuou a Sua viagem para o interior da Galiléia, depois da interrupção em Sicar.
O ditado “que um profeta não recebe honra na sua própria pátria” (provérbio grego) é semelhante ao que o Senhor falou sobre Nazaré (Marcos 6:4, Mateus 13:57, Lucas 4:24). Provavelmente é mencionado aqui para explicar porque, tendo deixado a Judéia porque era muito popular ali (vs.1-3), Ele foi para a Galilélia onde ainda não tinha ministrado e onde aparentemente não tinha tanta fama como na Judéia e agora em Samária.
Os galileus lhe deram as boas-vindas porque tinham visto todas as coisas que havia feito em Jerusalém durante a páscoa (cap. 2:13-25). Os galileus, como os judeus ortodoxos, haviam visto a Ele em Jerusalém e assim estavam predispostos a favor d’Ele.
Seu notável primeiro milagre seria ainda lembrado em Caná e indicaria que Ele tinha alguns amigos ali. O oficial do rei era provavelmente um cortezão do rei Herodes o tetrarca da Galiléia, talvez Cuza (Lucas 8:3), Manaém (Atos 13:1) ou algum outro. Ele subira 30 quilômetros de Capernaum, onde o rio Jordão desemboca no mar da Galiléia, para implorar ao Senhor para voltar com ele e curar o seu filho: ele se humilhou ao ponto de dirigir-se a Ele como “Senhor”.
A declaração do Senhor que “Se não virdes sinais e prodígios, de modo algum crereis” pode ser uma censura, mas também era o propósito dos Seus “sinais e prodígios”: retrata a teimosa recusa do povo em crer em Cristo sem os milagres. Mais tarde Ele diria: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (cap. 20:29). Um milagre era mais do que um favor a um oficial: era um sinal para todo o povo.
O oficial rogou-lhe que descesse logo, antes que seu filho morresse. Como Marta e Maria a princípio (cap.11:21, 32), ele pensou que seria muito tarde se morresse antes de chegaram até ele. A resposta do Senhor foi “Vai, o teu filho vive”, significando que agora ele não ia morrer. Seu filho foi curado sem mesmo que o Senhor fosse até Capernaum, podemos dizer que foi um tratamento à distância, com cura efetiva e imediata.
Tendo verdadeira fé, o oficial creu no que Ele havia dito, e seguiu seu caminho, agindo na sua fé e obedecendo o Senhor. Não é suficiente dizermos que cremos no Senhor: temos que viver em obediência a Ele. A notícia de casa confirmando a cura do seu filho veio ao oficial no caminho de volta a Capernaum.
Para ter certeza que não era uma simples coincidência, ele perguntou a que hora o seu filho começara a melhorar, e os seus servos, que trouxeram a notícia informaram que a febre o deixou à hora sétima (13:00 hrs) e ele reconheceu que foi na hora exata que o Senhor havia dito que seu filho vivia. Ele então creu, não só na palavra do Senhor (ver. 50), mas colocou toda a sua fé no próprio Jesus como o Messias. Então toda a sua família o fez também, sendo este o primeiro exemplo de uma família inteira crendo em Jesus Cristo, como o carcereiro de Filipos (Atos 16:34) e Crispo (Atos 18:8).
Este foi o segundo sinal que o Senhor fez na Galiléia: o primeiro também foi em Caná (cap. 2:1), mas muitos foram feitos também em Jerusalém (capítulo 2:23).
As palavras “depois disso” (também cap. 3:22 e 6:1) não querem dizer que o que se segue aconteceu imediatamente depois. Este Evangelho não é um relato completo das obras do Senhor (cap. 21:25).
Não há como descobrir que festa foi esta à qual Jesus compareceu aqui. Poderia ter sido a segunda páscoa; as três seguintes são identificadas (capítulos 2:13, 23; 6:4; 12:1). Subia-se para Jerusalém de todos os lugares com excessão de Hebrom.
Por causa da destruição do templo em 70 d.C., não há certeza sobre onde se situava o tanque de Betesda (Casa de Misericórdia). Parece que era uma piscina para nadar ou mergulhar, com um peristilo onde as pessoas podiam se reunir. As excavações recentes em Jerusalém encontraram um sítio que provavelmente seria esse.
Uns manuscritos antigos descobertos recentemente omitem as palavras “esperando o movimento da água”, e o versículo 4 inteiro, levando alguns estudiosos a pensar que são um acréscimo ocidental e sírio para esclarecer a palavra “tarachthêi" (agitada) no versículo 7, pois os judeus explicavam as virtudes de curar da fonte intermitente como sendo causadas pelo ministério de anjos.
Havia um homem ali que tinha sofrido de uma enfermidade por trinta e oito anos (não esteve necessáriamente sempre neste lugar). Depois deste tempo, o seu problema se tornou sua maneira de viver. Ninguém o tinha ajudado. Ele pensava que jamais seria curado, nem mais tinha desejo de se curar. A sua situação parecia ser sem esperança alguma.
O Senhor, é claro, conhecia tudo sobre ele e lhe perguntou se queria ser curado. Foi uma pergunta estranha para se fazer a um homem enfermo, parecendo até absurda. Ele naturalmente queria ser curado, mas o Senhor lhe fez a pergunta por dois motivos:
Para trazer esperança ao homem. Seu caso era sem esperança, e ele estava desesperado.
Para desviar os olhos do homem do tanque. Ele provavelmente nunca havia notado qualquer outra pessoa que descesse até lá, mas ficava só olhando o tanque. Agora ele ia normalmente e naturalmente erguer o seu olhar. Quem faria uma pergunta daquelas? Existe gente hoje que fica só esperando alguma coisa acontecer em suas vidas. Mas estão destinadas a ter um desapontamento amargo, porque estão esperando com seus olhos fixos na coisa errada, na pessoa errada, no acontecimento errado.
A crendice popular era que, cada vez que a água jorrava dessa fonte intermitente, havia poder curador na água para quem entrasse primeiro no tanque. O obstáculo físico deste enfermo o impedia de entrar antes dos outros, e, quem sabe, ele agora esperava que este homem simpático que lhe fazia a pergunta poderia lançá-lo depressa no tanque na próxima oportunidade.
Em vez disso, ele recebeu a ordem “Levanta-te, toma o teu leito e anda.” Sem argumentar que estava impossibilitado, ele se esforçou e teve sucesso, pois foi imediatamente curado.
Esta foi a primeira das transgressões das regras do sábado dos judeus incorridas pelo Senhor em Jerusalém, que deram origem a tanta amargura (cap. 9:14, 16). Essa controvérsia se espalhou à Galiléia quanto Cristo voltou para lá (Marcos 2:23-3:6; Mateus12:1-14; Lucas 6: 1 -11).
43 Passados os dois dias partiu dali para a Galiléia.
44 Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não recebe honra na sua própria pátria.
45 Assim, pois, que chegou à Galiléia, os galileus o receberam, porque tinham visto todas as coisas que fizera em Jerusalém na ocasião da festa; pois também eles tinham ido à festa.
46 Foi, então, outra vez a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. Ora, havia um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.
47 Quando ele soube que Jesus tinha vindo da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e lhe rogou que descesse e lhe curasse o filho; pois estava à morte.
48 Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e prodígios, de modo algum crereis.
49 Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra.
50 Respondeu-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu.
51 Quando ele já ia descendo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe disseram que seu filho vivia.
52 Perguntou-lhes, pois, a que hora começara a melhorar; ao que lhe disseram: Ontem à hora sétima a febre o deixou.
53 Reconheceu, pois, o pai ser aquela hora a mesma em que Jesus lhe dissera: O teu filho vive; e creu ele e toda a sua casa.
54 Foi esta a segunda vez que Jesus, ao voltar da Judéia para a Galiléia, ali operou sinal.
1 Depois disso havia uma festa dos judeus; e Jesus subiu a Jerusalém.
2 Ora, em Jerusalém, próximo à porta das ovelhas, há um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco alpendres.
3 Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados [esperando o movimento da água.]
Joh 5:4 [Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; então o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.]
5 Achava-se ali um homem que, havia trinta e oito anos, estava enfermo.
6 Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ficar são?
7 Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que, ao ser agitada a água, me ponha no tanque; assim, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.
8 Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.
9 Imediatamente o homem ficou são; e, tomando o seu leito, começou a andar. Ora, aquele dia era sábado.
Evangelho de João, capítulo 4, do versículo 43 ao 5, versículo 9