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A Água Transformada em Vinho

João Capítulo 2 versículos 1-11


Este evento aconteceu no terceiro dia desde o começo da viagem para a Galiléia, quando Felipe foi encontrado (capítulo 1:43), sete dias desde que João Batista foi interrogado pelos mensageiros dos judeus (capítulo 1: 19).

Os casamentos naqueles dias envolviam festas por uma semana. Banquetes eram preparados para muitos convidados e a semana seria usada para celebrar a vida nova do novo casal. Freqüentemente a cidade inteira era convidada e todo o mundo viria, pois era considerado um insulto recusar o convite para um casamento.

Caná da Galiléia era a cidade natal de Natanael (capítulo 21:2), e só é mencionada novamente quando o Senhor for encontrado ali por um nobre que Lhe implorou que curasse o Filho dele (capítulo 4:46).

José provavelmente já havia morrido. Maria a mãe de Jesus (nunca mencionada por nome neste Evangelho), pode ter sido parente da família onde o casamento aconteceu, claramente eram amigos íntimos. Jesus também foi convidado por causa da presença dela, possivelmente por sugestão dela, e os Seus discípulos eram provavelmente todos conhecidos da família. Este grupo de seis forma o núcleo da grande multidão de estudantes através dos tempos que seguirão a Cristo como o Mestre e Senhor e Salvador. O termo discípulo às vezes é restrito aos doze apóstolos, mas mais freqüentemente abrange um círculo maior (por exemplo. capítulos 6:61, 66; e 20:30).

Quando o vinho acabou, sendo um elemento principal das refeições daqueles dias, houve embaraço, especialmente para Maria, se foi devido em parte à chegada dos sete convidados. A declaração desse fato a Jesus poderia ter sido uma sugestão sutil para Ele e os Seus discípulos se afastarem, mas é mais provável que fosse um pedido de ajuda. Maria deve ter sentido que tinha alguma responsabilidade e confiou no Seu filho mais velho para resolver o problema, embora seja muito improvável que ela esperasse uma intervenção sobrenatural de Sua parte; ela simplesmente esperava que Ele obtivesse vinho para eles.

Ao responder ele usou a palavra “mulher” em vez de “mãe”: não foi censura (veja também capítulo 19:26), mas mostrou que ela já não podia continuar a exercer autoridade materna sobre Ele, e nunca em Seu trabalho Messiânico. Ele segue dizendo o que literalmente significa “O que é isto para mim e para você (ou para nós)?”

A frase "Ainda não é chegada a minha hora” marca uma crise sempre que ocorre, especialmente a da Sua morte (capítulos 7:30; 8:20; 12:23; 13: 1; 17:1). Aqui aparentemente significa a hora para manifestação pública do seu messiado, embora  num sentido mais restrito seria para a intervenção de Cristo sobre a falta de vinho. Este Evangelho foi escrito no plano da eternidade (W. M. Ramsay) e esse ponto de vista existe aqui neste primeiro sinal do Messias. A resposta de Jesus para Maria é difícil entender, mas talvez seja esta a razão.  Embora Maria não entendesse o que Jesus ia fazer, ela confiou que Ele faria o que era certo. Os que creem em Jesus mas se encontram em situações que não podem entender devem continuar confiando que Ele resolverá do melhor modo.

Maria se conformou com o “ainda não”  e reconheceu o direito de independência dela que Jesus tinha como Messias, mas evidentemente esperava que Ele afinal de contas levasse a cabo a sugestão dela, como Ele realmente fez. Esta mãe sabia que o Filho dela era mais que um simples filho humano: ele era o Filho de Deus e ela então se submeteu ao modo d’Ele de fazer coisas. As palavras que disse aos  criados "Fazei tudo quanto Ele vos disser” indica total confiança n’Ele. São estas as últimas palavras faladas por ela registradas na Bíblia. Isto é muito significativo, especialmente para aqueles que lhe querem atribuir poderes, autoridade e posição  que ela nunca recebeu de Deus.

Talhas de pedra cheias de água ficavam disponíveis para as purificações das mãos (2 Reis 3:11; Marcos 7:3), especialmente em banquetes. Segundo a lei cerimonial dos judeus, as pessoas se sujavam simbolicamente ao tocar em objetos da vida cotidiana. Antes de comer, os judeus derramavam água sobre suas mãos para purificar-se de quaisquer influências maléficas associadas ao que tinham tocado. A purificação deu origem a uma contenda entre os discípulos de João Batista e um judeu (capítulo 3:25).

Jesus ordenou aos criados que as enchessem até em cima de água: não sobrou lugar para qualquer outra coisa. Então Ele lhes disse que tirassem e levassem para  o mestre-sala. Aparentemente a água nas talhas não foi transformada enquanto estava nelas, pois os serventes sabiam que tinham tirado água (versículo 9), mas transformou-se em vinho antes de ser provada pelo mestre-sala.

O mestre-sala era o superintendente da sala de jantar, que organizava os sofás  onde os convivas se reclinavam para a refeição, e provava a comida antes de ser distribuida. Ele nada sabia do milagre que acontecera com a água, enquanto os serventes  apenas sabiam de onde viera, mas desconheciam o poder que a transformara. Chamou o noivo, que aparentemente era responsável pela provisão do vinho, e declarou sua surpresa que o melhor vinho tinha sido guardado para ser usado por último (ao contrário do que acontece agora, o vinho novo que é suco de uva puro e sem álcool, era considerado melhor do que vinho velho que tinha de ser aquecido ou diluido em água antes de beber). Era habitual servir o vinho novo, mais caro, primeiro e o inferior, velho e diluído, depois dos convidados já terem bebido bem.

Uma lição espiritual pode ser aprendida aqui: o Senhor nos usa hoje como talhas de pedra, enchendo-nos da Palavra de Deus. Quando a distribuimos, torna-se o vinho de alegria pela ação do Espírito Santo. Somos instruídos:  "não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito " (Efésios 5:18). O Espírito Santo toma aquela água e executa um milagre na vida de uma pessoa que é salva pela fé na Palavra,  o próprio Senhor Jesus.

Jesus fez isto dando início dos Seus sinais, passando agora do testemunho de João Batista para o testemunho das Suas próprias obras, e assim manifestando a Sua glória (capítulo 1:14). Há sete sinais, ou milagres, descritos neste Evangelho para provar a divindade de Cristo (João 20:30), dos quais este é o primeiro. Cristo começou o Seu ministério nesta terra em um casamento. Ele vai conclui-lo, no que concerne a igreja, com outro casamento. No banquete do matrimônio do Cordeiro a Igreja será apresentada a Ele como se fosse uma noiva. O primeiro milagre de Moisés foi transformar água em sangue, mas o primeiro milagre de Cristo foi  transformar água em vinho. A Lei foi dada por Moses, mas graça e verdade vieram por Jesus Cristo. Que contraste!

Estes primeiros seis discípulos (estudantes) já tinham crido em Jesus como sendo o Messias (João 1:35-51), e agora a sua fé foi grandemente fortalecida. O Senhor se revelaria cada vez mais, enquanto os discípulos cresciam em conhecimento e fé, e os judeus se tornavam cada vez mais hostis, até a culminação do Seu ministério.

Os sinais não eram eventos meramente sobrenaturais, mas demonstravam o poder do Senhor sobre a natureza, porque quase todos eram uma renovação da criação caída: restauração da saúde, visão, mobilidade, mesmo trazendo vida ao morto.

Capernaum foi a base de operações de Jesus durante o Seu ministério na Galiléia. Localizada numa rota principal de comércio, era uma cidade importante na região, com uma guarnição romana e um posto aduaneiro. Mateus foi chamado para ser um discípulo em Capernaum (Mateus 9:9). Na cidade também moravam vários outros discípulos (Mateus 4:13-19) e um funcionário do governo de alta categoria (João 4:46). Tinha pelo menos uma sinagoga principal. Embora tenha feito desta cidade a Sua base, Jesus condenou seus habitantes por causa da sua incredulidade (Mateus 11:23; Lucas 10:15).

 
O Senhor Jesus estava na maior missão da história do gênero humano, contudo Ele achou tempo para assistir a um casamento e participar das suas festividades. Nossa missão também pode ser freqüentemente realizada na alegria das celebrações com outros.

 

R David Jones

 

 

 

1 Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;

 

 

 

 

 

 

 

2 e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.

 

 

 

 

3 E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.

 

 

 

 

4 Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

 

 

 

 

 

 

 

 

5 Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

 

 

 

 

 

6 Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

 

 

7 Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram- nas até em cima.
8 Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.

 

9 Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo
10 e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

 

 

 

 

 

 

11 Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

Evangelho de João, capítulo 2, versículos 1 a 11

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